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02 Out 2014

Taxa de ocupação de novos shoppings pouco cresce em 2014

?Os shoppings que registram as menores taxas de ocupação são aqueles localizados em cidades com menos de 1 milhão de habitantes.

A dificuldade enfrentada pelos empreendedores de shoppings em 2013 para atrair lojistas para os novos shoppings ainda é uma realidade. Na média geral, a taxa de ocupação dos shoppings inaugurados apresenta um crescimento pouco expressivo: vai de 50% em dezembro de 2013 para 57% em junho de 2014, segundo o levantamento do IBOPE Inteligência.  Em número de lojas, esse crescimento representa adicional de 370 lojas inauguradas em 36 shoppings.

Pouco mais de um terço dos shoppings inaugurados no ano passado (39%) apresentam taxa de ocupação inferior a 50%, ou seja, esses shoppings ainda operam com metade da Área Bruta Locável (ABL) desocupada. Na maior parte dos casos, as áreas vagas são aquelas destinadas às lojas satélites e ao cinema.


 
Os shoppings que ainda registram as menores taxas de ocupação são aqueles localizados em cidades de pequeno e médio porte (menos de 1 milhão de habitantes). Nessas localidades, a taxa média de ocupação é de 50%. Já nos grandes mercados, a taxa média de ocupação dos novos empreendimentos é de 70%.



“O aspecto mais preocupante é que muitos dos shoppings novos estão localizados em mercados que apresentam baixo potencial de consumo ou estão sobreofertados”, diz o coordenador de pesquisa na área de shoppings do IBOPE Inteligência, Fabio Caldas. Isso pode ser constatado pelo Índice de Produtividade das cidades, métrica que relaciona demanda (potencial de consumo das famílias) e oferta instalada, calculado pelo IBOPE Inteligência.

De acordo com esse índice, mercados com índice 100 são considerados “equilibrados”, onde a oferta de shoppings instalados é suficiente para atender à demanda existente. Cidades com índice entre 99 e 80 são “áreas concorridas”, mas que podem ainda ter espaço para novos empreendimentos, dependendo de sua localização e do seu posicionamento. Abaixo de 80 estão os mercados de “alto risco”, que dificilmente comportariam um novo empreendimento.

Dos 36 shoppings analisados pelo Atlas de Shopping, do IBOPE Inteligência, 53% estão localizados em cidades cujo Índice de Produtividade antes da instalação do shopping era inferior a 80. “Não é coincidência, portanto, que justamente nesses municípios estejam os shoppings com as menores taxas de ocupação: cerca de 49%, em média”, comenta Caldas.


Segundo o executivo, mesmo com uma redução significativa das atuais taxas de vacância, o desempenho de vendas de muitos desses empreendimentos ainda deve permanecer abaixo das expectativas. “Esses valores indicam claramente que muitos shoppings terão curvas de maturação muito longas, muitas acima de cinco anos, antes que os resultados apareçam”, finaliza.