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07 Nov 2014

Pesquisa traça perfil e comportamento das famílias quanto à rotina escolar de crianças e jovens brasileiros

As famílias acompanham o calendário de provas, participam de reuniões nas escolas, se interessam pela proposta pedagógica e trocam ideias com outros pais sobre a Educação de seus filhos? Pais, mães e responsáveis conversam com as crianças e jovens sobre o comportamento em sala de aula ou sobre o papel e a importância do professor?

Essas são algumas das perguntas feitas a 2.002 pais ou responsáveis por crianças e jovens, com idade entre 4 e 17 anos, em todo o país, como parte da pesquisa “Atitudes pela Educação”, uma parceria do movimento Todos Pela Educação, Fundação Itaú Social, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Fundação Roberto Marinho, Instituto C&A e Instituto Unibanco, realizada pelo Instituto Paulo Montenegro e o IBOPE Inteligência.

A pesquisa foi realizada com famílias de alunos da rede pública e privada de ensino, da Educação Infantil ao Ensino Médio, moradores de áreas urbanas e rurais de todas as regiões do país. Foram consideradas duas dimensões de comportamento: a Valorização da Educação escolar pelo adulto e o Vínculo do adulto com a criança ou jovem.

“A Valorização é composta por atitudes e práticas mais relacionadas ao cotidiano da vida escolar, como checar a lição de casa, levar à escola e ir buscar, ir às reuniões de pais e conversar com os professores, e que demonstram a importância que o adulto dá à Educação, como colocá-la como prioridade, conversar com a criança ou o jovem sobre o que quer estudar e em que quer trabalhar no futuro. Já o Vínculo considera comportamentos e ações ligados ao relacionamento afetivo desses pais e responsáveis com a criança ou o jovem - também apontado em estudos como fator importante para o aprendizado -, como dialogar sobre as preferências e opiniões deles e passar momentos juntos dentro e fora de casa”, explica Alejandra Meraz Velasco, coordenadora geral do movimento Todos Pela Educação.

Comprometidos, Envolvidos, Vinculados, Intermediários e Distantes
Com o objetivo de melhor compreender as atitudes dos responsáveis pela vida escolar dessas crianças e jovens, cada um dos itens da pesquisa foi classificado de acordo com a dimensão que pretendia avaliar – Valorização e Vínculo - de forma a permitir a combinação das respostas e o agrupamento dos indivíduos com atitudes em comum. Essa combinação resultou em cinco perfis nomeados como:  Comprometidos, Envolvidos, Vinculados, Intermediários e Distantes – sendo que o perfil chamado de Comprometidos é aquele que apresentou maior graduação na escala que combina Vínculo e Valorização e o grupo Distantes, a menor graduação nessa escala.

A maior parte dos responsáveis entrevistados (27%) está no grupo denominado Vinculados: aqueles que, em geral, praticam mais ações de Vínculo do que de Valorização. Os indivíduos nesse perfil mantêm um diálogo frequente e um bom relacionamento e ambiente familiar, mas não acompanham tanto as rotinas escolares nem dialogam sobre o projeto de vida do aluno. Por exemplo, 95% deles procuram conversar com a criança ou jovem quando notam algum comportamento diferente, mas apenas 20% dizem conversar com outros pais sobre a qualidade da escola.

 

 

 

Na sequência, representando 25% da amostra, estão os classificados como Envolvidos, que praticam mais ações de Valorização do que de Vínculo. Eles se destacam por buscar dialogar e construir parcerias com outros membros da comunidade escolar e por acompanhar a rotina escolar, mas têm um ambiente familiar menos propício ao diálogo e um relacionamento menos próximo com a criança ou jovem por quem são responsáveis. Destaca-se entre as atitudes desses pais e responsáveis, por exemplo, que 87% deles acreditam que o estudo pode levar a uma vida melhor, no entanto, apenas 35% afirmam levar a criança ou o jovem para praticar esportes ou atividades culturais em dias de folga.

Já os que foram chamados de Distantes equivalem a 19% do total pesquisado e apresentam o conjunto de respostas que demonstra o grau mais baixo de Vínculo e Valorização encontrado na pesquisa. Esse perfil se caracteriza principalmente por pais que não se relacionam com outros pais e com a escola e dão pouco espaço para o diálogo com as crianças e jovens. Nesse perfil, por exemplo, apenas 37% dos entrevistados ajudam na organização do material a ser levado para a escola e somente 20% afirmam conversar com a criança ou jovem sobre os potenciais talentos e preferências que têm.

Os denominados Intermediários, por sua vez, somam 17% e formam um grupo que apresenta uma média de respostas tanto em relação ao Vínculo quanto à Valorização maior do que a dos distantes, porém abaixo da graduação máxima. Dos pais e responsáveis pertencentes a esse grupo, por exemplo, 70% dizem conferir se a criança fez a tarefa e 69% incentivam a prática de esportes ou a participação em eventos culturais.

Por fim,  o grupo dos Comprometidos corresponde a 12% dos pais e responsáveis pela vida escolar das crianças e dos jovens, e são o grupo que se define por apresentar o conjunto de respostas com maior graduação tanto na dimensão Valorização quanto Vínculo.  Os indivíduos desse perfil buscam informações sobre a escola, promovem o diálogo e a parceria com outros pais e professores, acompanham e apoiam os filhos na rotina escolar e mantêm um bom diálogo com eles. Como exemplo, nesse grupo 98% dos pais ou responsáveis afirmam acompanhar as faltas na escola, 91% procuram ouvir e respeitar a opinião da criança ou jovem e 79% dizem conversar e trocar bilhetes com os professores sobre o desenvolvimento das crianças e jovens na escola. 

Perfil dos entrevistados
Quanto ao perfil dos responsáveis pela vida escolar das crianças e jovens com idade entre 4 e 17 anos, a pesquisa revelou que a maioria é composta por pais e mães (84%), seguido por avôs e avós (11%). 

Outro dado da pesquisa é que 8% do público pesquisado não frequentou a escola, cerca de metade (48%) tem até o Ensino Fundamental e 44% têm o Ensino Médio completo ou curso superior. Já 24% desses responsáveis entrevistados são filhos de pais e mães sem nenhuma escolaridade, cerca de 1/3 são filhos de pais e mães com Ensino Fundamental incompleto e somente 1 em cada 10 é filho de pais e mães com Ensino Médio completo ou Educação Superior.

Em relação ao tamanho da família, mais da metade das residências (61%) tem até quatro moradores, sendo que  o número de crianças e jovens que frequentam a escola é mais que um em 49% das casas. A renda familiar é de até dois salários mínimos em 60% dos casos apurados.

Confira essas e outras informações da pesquisa “Atitudes pela Educação” clicando aqui