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19 Jan 2016

Paulistano sente queda na renda e na qualidade de vida, aponta pesquisa

68% dos entrevistados declaram que mudariam de cidade se pudessem. No ano passado, 57% afirmaram que gostariam de sair de São Paulo

Nesta terça-feira, a Rede Nossa São Paulo, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e  o IBOPE Inteligência apresentam a 7ª edição da pesquisa IRBEM (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município).

 O IRBEM revela o nível de satisfação dos paulistanos em relação à qualidade de vida e ao bem-estar em São Paulo. A pesquisa aborda 25 temas, tanto os relacionados às condições objetivas de vida na cidade - nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, habitação, trabalho, entre outros – quanto os ligados a questões subjetivas, como sexualidade, espiritualidade, consumo, lazer etc.

O levantamento traz ainda o nível de confiança da população nas instituições (Prefeitura, Câmara Municipal, Polícia Militar, Tribunal de Contas, Poder Judiciário etc.) e a avaliação dos serviços públicos. Tempo de espera por consultas médicas (nos sistemas público e privado) e tempo de espera nos pontos de ônibus são algumas das perguntas que compõem a pesquisa.

A pesquisa foi realizada entres os dias 30 de novembro e 18 de dezembro de 2015 com 1.512  moradores da cidade de São Paulo com 16 anos de idade ou mais. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Algumas das conclusões do estudo são:

- Cai de 37% para 23% os que afirmam que a qualidade de vida em São Paulo “melhorou muito ou um pouco". E aumenta de 13% para 36% os que dizem ter piorado "muito" ou "um pouco";

- 68% dos entrevistados declaram que mudariam de cidade se pudessem. No ano passado, 57% afirmaram que gostariam de sair de São Paulo; 

- Em 2015, 71% dos entrevistados afirmam utilizar ônibus como meio de transporte diário na cidade. Na pesquisa anterior, eram 68% os que responderam afirmativamente a essa questão. E o tempo médio de espera nos pontos passa de 20 para 21 minutos na comparação com a pesquisa anterior; 

- Cai de 10% para 7% os que consideram São Paulo um lugar “muito seguro” ou “seguro” para morar. E sobe de 89% para 92% os que o avaliam como “pouco” ou “nada seguro”. Os principais medos dos paulistanos continuam sendo, nessa ordem: violência em geral, assalto/roubo e tráfico de drogas;

- Vem aumentando ao longo dos anos o percentual de paulistanos que afirmam utilizar algum tipo de serviço de saúde pública nos últimos 12 meses. Nesta edição da pesquisa,  atinge 74%, ante 72% no ano anterior. Entre os que afirmam utilizar, há uma discreta melhora nas notas dadas aos serviços oferecidos. 

- O tempo de espera para consultas no sistema público de saúde passa de 56 para 82 dias. Para exames, sobe de 78 para 98 dias. E para procedimentos mais complexos, vai de 169 para 186 dias;

- Oscila de 15% para 13% os que consideram “ótima” ou “boa” a gestão municipal atual. Cai o percentual dos que avaliam como “regular”, indo de  45% para 31%, e aumenta de 40% para 56% os que a consideram “ruim” e “péssima”;

- A Câmara Municipal é avaliada como “ótima” ou “boa” por 5% dos paulistanos entrevistados, ante 10% na pesquisa anterior. E 71% deles a avaliam como “ruim/péssima”; 

- Bombeiros, Correios e Igreja, nessa ordem, lideram o ranking das instituições com maior confiança da população. Mas  há queda geral na confiança nas instituições;

- Crise hídrica: 67% acreditam que a Sabesp é a principal responsável (ante 61% na edição anterior) e 23% atribuem essa responsabilidade ao governo do Estado de São Paulo (ante 30% do ano passado). São 45% os que creditam a crise à falta de planejamento do governo estadual (ante 42% na pesquisa anterior), 18% à falta de chuvas (no ano passado eram 29%) e 4% ao desmatamento da Amazônia (ante 3% na edição anterior). Dentre os entrevistados, 64% afirmam ter tido (eles próprios ou familiares) problema com abastecimento de água nos últimos 30 dias. No ano passado, esse número ficou em 68%.

- Dos 169 itens avaliados (com notas que podem variar de 1 a 10), 150 (89%) ficam abaixo da média da escala (5,5), 16 (9%) ficam acima e 3 (2%) ficam na média. Na edição anterior da pesquisa, os resultados eram: 139 (82%) abaixo da média, 28 (17%) acima e 2 (1%)  na média;

- A rodada atual da pesquisa é a terceira a considerar a mudança do critério do principal indicador do estudo, o Índice de Bem Estar da Cidade de São Paulo. Esse índice é calculado a partir da importância e da satisfação das 25 áreas de avaliação, e teve como resultado 4,7, ante aos 5,1da rodada anterior;

- As áreas de maior insatisfação estão diretamente relacionadas com as instituições governamentais, tais como infância e adolescência, transporte e trânsito, acessibilidade para pessoas com deficiência, segurança, assistência social, desigualdade social e transparência e participação política; 

- As áreas da saúde e da educação mantêm um grau de satisfação que não corresponde à importância atribuída a elas para a qualidade de vida do cidadão paulistano.  Ambas permanecem em patamar baixo e apresentam queda: saúde (4,5) e educação (4,1);

- Das 25 áreas analisadas, apenas "relações com animais" permanece com a mesma média do ano passado. Todas as demais, com exceção de religião e espiritualidade, têm queda significativa.

DADOS DA PESQUISA

Nome da pesquisa

IRBEM - 7 ª edição

Margem de erro

3 pontos percentuais para mais ou para menos

Tema

Administração pública

Opinião pública

Contratante

FecomercioSP e Rede Nossa São Paulo

Período

30/11/2015 a 18/12/2015

Local

Brasil - São Paulo - SP

Amostra

1.512 entrevistas

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