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20 Mar 2018

Mesmo com crise econômica e política, educação financeira do brasileiro fica estável em dois anos

Na escala de 0 a 10, a nota média em 2017 é 6,2, a mesma do índice anterior, de acordo com a quarta edição do Indicador de Educação Financeira (Indef)

A crise no cenário econômico e político, que perdurou nos últimos três anos no país, não teve impacto na nota de educação financeira dos brasileiros em 2017. Segundo a 4ª edição do Indicador de Educação Financeira (Indef) da Serasa Experian, realizado pelo IBOPE Inteligência, na escala de 0 a 10, a nota média da população ficou em 6,2, a mesma identificada no índice anterior – realizado em 2015. Para chegar no resultado final, o único indicador do país a ter uma metodologia para conhecer e acompanhar a educação financeira, considera os três subíndices: conhecimento, atitude e comportamento.

Dentro do cenário econômico, a inadimplência também foi um fator crítico em 2017 na vida da população brasileira. Em novembro do ano passado, 61,1 milhões de pessoas estavam com dívidas atrasadas no país, um recorde histórico. Segundo o Indef 2017, 62% das pessoas sentiram que suas despesas eram maiores que seus rendimentos ao menos uma vez nos últimos doze meses. Isso representa um crescimento de 11 p.p., em relação a 2015, quando o percentual era 51%. Para conseguir pagar as contas em 2017, 37% tiveram que fazer cortes, 23% tentaram uma renda extra, 11% atrasaram ou deixaram de pagar alguma dívida, 10% pediram dinheiro emprestado para amigos ou parentes, 7% renegociaram dívidas, dentre outras atitudes.

Gênero
Na visão por gênero, foi identificada uma leve melhora na “Atitude” das mulheres, com crescimento de 0,4 p. em 2017, na comparação com 2015, mas ainda assim não foi suficiente para alterar o índice final de educação financeira das pessoas do sexo feminino. Na comparação entre homens e mulheres, não foram encontradas diferenças significativas, ou seja, homens e mulheres apresentam resultados semelhantes em relação à educação financeira.

Idade
Os jovens de 16 a 17 anos apresentam leve queda de 0,4 p. na educação financeira. As pessoas acima de 65 anos viram o índice oscilar de 6,4 em 2015 para 6,1 em 2017. No restante, não há diferenças significativas.

Escolaridade
Ainda que de maneira pouco expressiva, nota-se uma maior educação financeira de acordo com o maior grau de escolaridade. Isso porque o subíndice “Comportamento” pouco varia entre as faixas de escolaridade, apesar do subíndice “Conhecimento” ser claramente maior quanto maior é o nível de escolaridade do consumidor.

Classe social
A média final do índice por classe social não se altera em 2017, na comparação com 2015, e muda pouco entre as classes, crescendo somente de forma mais expressiva na classe A/B.

Decisão financeira
O Índice de Educação Financeira é melhor quando a decisão financeira da casa é pessoal ou dividida com o companheiro e diminui quando envolve apenas terceiros.

Moradia
O indicador mostra que no grupo de entrevistados cuja moradia é emprestada/cedida, há aumento de 0,6 pp. na educação financeira em 2017, na comparação com 2015.

Formação de poupança
O índice de educação financeira é menor quando não há formação de poupança. Nota-se uma pequena movimentação entre os que pouparam de 2015 para 2017.

Renda
Em relação à renda pessoal – no indicador de 2017 x 2015 –, o grupo de entrevistados com ganhos acima de dez salários mínimos teve o maior crescimento (0,8 pp.) na educação financeira. Ainda na renda pessoal, a maior oscilação (queda de 0,8 pp.) foi verificada dentro de quem recebe de cinco a dez salários mínimos.

O subíndice “Comportamento” apresenta oscilações na comparação de 2017 x 2015. Na renda pessoal, foi identificado aumento de 0,9 p. no grupo de quem recebe mais de dez salários mínimos e queda de 1,1 p. no grupo que recebe de 5 a 10 salários.

Sobre a pesquisa
Para a criação do Indef, o IBOPE Inteligência entrevistou – em dezembro de 2017 – 805 pessoas maiores de 16 anos em 9 regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará, Paraná e Pará) e Distrito Federal. Os subíndices que compõem o Indicador de Educação Financeira têm pesos diferentes: Atitude, que avalia o entendimento sobre conceitos financeiros (24%), Conhecimento, que considera como a pessoa interpreta sua relação com o dinheiro (26%) e Comportamento, que mede as ações financeiras do entrevistado propriamente ditas – se gasta mais do que ganha, se guarda dinheiro e planeja o futuro etc. – (50%).