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06 Jun 2018

Desinformação é maior dificuldade para a reciclagem no Brasil

De acordo com estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado no último ano, apenas 13% de todos os resíduos sólidos urbanos do Brasil são destinados de forma correta à reciclagem. Dentre as razões que dificultam a reversão desse cenário, chama a atenção que um dos principais empecilhos seja a falta de informação da população. 66% dos brasileiros afirmam saber pouco ou nada a respeito de coleta seletiva e 28% não sabem citar quais são as cores das lixeiras para coleta do material. Os dados constam em pesquisa recém divulgada pelo IBOPE Inteligência e encomendada pela Cervejaria Ambev.

O estudo mostra que o brasileiro sabe da importância da reciclagem para o meio ambiente e acredita que seja uma prática correta, mas isso não se reflete no dia-a-dia. Apesar de 94% das pessoas concordarem que a forma certa de descartar o lixo é separando materiais que podem ser reciclados e 98% reconhecerem que ela é importante para o futuro do planeta, 75% não separam os materiais recicláveis individualmente nos lixos que geram em casa. Desses, 39% não separam nem mesmo o lixo orgânico do inorgânico. Além disso, 56% não utilizam nenhum serviço de coleta seletiva.

“É fundamental sabermos qual a responsabilidade de cada um dentro desse processo. Toda escolha que fazemos no dia-a-dia contribui para a construção de um futuro melhor e apenas o trabalho em conjunto entre todas as esferas da sociedade trará resultados para todos nós”, afirma Filipe Barolo, gerente de sustentabilidade da Cervejaria Ambev.

Quais resíduos são recicláveis?

Um dos principais obstáculos para superar esse quadro é a falta de conhecimento sobre quais materiais podem ser reciclados. Apenas 4% das pessoas sabem que embalagens longa vida (TetraPak), são recicláveis. O índice melhora quando se fala em plástico (77%), vidro (64%), papel (50%) e alumínio (47%), mas ainda está distante do ideal. Apenas 32% das pessoas sabem bastante sobre embalagens PET recicláveis e 28% sobre embalagens retornáveis de vidro. Sobre garrafas PET, apenas 40% afirmam saber que esse tipo de material pode ser reciclado.

“Nós buscamos sempre ser parte da solução. Uma de nossas principais preocupações é que as embalagens de nossos produtos encontrem o destino certo, que é a reciclagem”, afirma Barolo. “Nos últimos anos, tiramos mais de 12,4 milhões de toneladas de vidro de circulação, nos esforçando para aumentar o volume de garrafas de vidro retornáveis disponíveis no mercado. Também deixamos de produzir mais de 1,9 bilhão de garrafas PET com resina virgem em decorrência da reciclagem do material. Quanto mais pessoas tiverem consciência sobre a forma correta de descarte desses produtos, maior será o impacto positivo no meio ambiente”, conclui o profissional.

Afinal, para onde vai o lixo?

59% das pessoas afirmam não saber quem efetivamente recicla os materiais e os transforma em novos produtos no Brasil. A cadeia envolvida nesse processo ainda parece ser um mistério para a maior parte da população, visto que 81% dos brasileiros afirmam saber pouco ou nada sobre cooperativas de reciclagem. Além disso, 58% acreditam que o lixo vá para aterro sanitário ou lixão, apesar de 51% não concordarem que essa seja a destinação adequada.

É verdade que parte considerável do lixo caseiro do Brasil acaba chegando a lixões e aterros, inclusive aquele que poderia ser reciclado, mas esse não é o ideal. O resíduo que é retirado dos pontos de coleta seletiva, por exemplo, é destinado às cooperativas de reciclagem, que, após triar e tratar os materiais, os vendem para a indústria, que os transforma em novos produtos. Para isso acontecer, no entanto, o lixo deve ser separado e descartado de forma correta.

Sobre esse ponto, há outros desafios que precisam ser enfrentados. 49% das pessoas concordam que não é fácil encontrar informações sobre coleta seletiva em suas respectivas cidades, enquanto que 44% afirmam que o serviço não é disponibilizado ou não sabem se isso ocorre no município.

Cervejaria Ambev e a reciclagem

A pesquisa foi encomendada pela Cervejaria Ambev para entender quais os desafios que permanecem sobre a questão da reciclagem e auxiliar no desenvolvimento de ações efetivas para solucioná-los.

A sustentabilidade socioambiental é um pilar central do negócio da companhia. Nos últimos cinco anos, a cervejaria destinou mais de R$ 1 bilhão para projetos voltados a esse fim em sua operação. O montante contribuiu para a superação de seis das sete metas anunciadas em 2013 para serem atingidas em 2017. Agora, a cervejaria anunciou mais um passo importante nesse trabalho, com novos compromissos, que têm previsão de atingimento até 2025. As metas, definidas pela AB InBev globalmente, são divididas em quatro pilares, sendo que um deles se refere especificamente à reciclagem:

- Embalagem Circular: 100% dos produtos da Cervejaria Ambev devem estar em embalagens retornáveis ou que sejam majoritariamente feitas de conteúdo reciclado.

- Ações Climáticas: 100% da eletricidade comprada pela Cervejaria Ambev deve ser advinda de fontes renováveis. Além disso, a cervejaria vai reduzir em 25% as emissões de carbono ao longo da nossa cadeia de valor.

- Gestão de Água: melhorar de forma mensurável a disponibilidade e a qualidade da água para 100% das comunidades em áreas de alto estresse hídrico com as quais a cervejaria se relaciona.

- Agricultura Inteligente: 100% dos agricultores parceiros da cervejaria devem estar treinados, conectados e com estrutura financeira para desenvolver um plantio cada vez mais sustentável.

A cervejaria desenvolve uma série de projetos relativos à reciclagem e vem atingindo resultados importantes nos últimos anos. O trabalho atua em três pilares centrais: garrafas de vidro retornáveis, garrafas PET e fomento às cooperativas de reciclagem. Confira abaixo.

Garrafas de vidro retornáveis

Desde 2014, a companhia busca ampliar a presença das garrafas de vidro retornáveis no mercado, que podem ser reutilizadas cerca de 20 vezes. Para facilitar a troca do produto, a cervejaria investiu na instalação de mais de 1000 máquinas de coleta por todo o país, que, em 2017, coletaram mais de 115 milhões de vasilhames. Atualmente, cerca de 1 em cada 4 garrafas vendidas nos mercados já é retornável. Desde o início do projeto, a companhia retirou de circulação 12,4 milhões de toneladas de vidro, o equivalente a 32 estádios do Morumbi, localizado em São Paulo, cheios de resíduos sólidos. Além disso, a cervejaria mantém a Ambev Vidros no Rio de Janeiro, uma fábrica que produz garrafas de vidro a partir da reciclagem de cacos. fábrica é uma das maiores recicladoras de cacos de vidro na América Latina. Aproximadamente 50% da matéria-prima utilizada na unidade são cacos de vidro, ou seja, de cada dez garrafas produzidas pela Cervejaria Ambev, cinco são fabricadas totalmente com material reciclado

Garrafas PET

Em 2012, a Ambev lançou a primeira PET 100% reciclada do mercado brasileiro, com Guaraná Antárctica, e, desde então, já deixou de produzir 1,9 bilhão de garrafas PET. Esse esforço evitou a utilização de mais de 94 mil toneladas de material virgem, abrindo espaço para mais garrafas feitas de material reciclado. Esse montante equivale ao lixo gerado por mais de 245 mil pessoas em um ano. Atualmente, 56% das garrafas PET de Guaraná Antarctica produzidas pela companhia é envasada nesse tipo de embalagem. A produção da PET 100% traz diversos benefícios ao meio ambiente, como a liberação de 30m³ em aterro sanitário para cada cinco toneladas de PET que deixam de ser descartadas no lixo. Além disso, a fabricação dessa garrafa consome 70% menos energia e 20% menos água em relação à que utiliza resina virgem. O material reciclado também é utilizado em outras linhas. Na do energético Fusion, por exemplo, todas as embalagens já são produzidas com material reciclado. Em Soda Limonada, essa taxa chega a mais de 50%. Atualmente, cerca de 33% da produção total de PET da Cervejaria Ambev é feita a partir de material reciclado. Desde 2012, esse número cresceu 725%.

Reciclar pelo Brasil

Em outubro de 2017, a Ambev firmou parceria Coca-Cola Brasil e lançou um programa conjunto de reciclagem. Nomeada de Reciclar pelo Brasil, a plataforma unificada conta com a parceria da Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT). Atualmente, o programa é integrado por 110 cooperativas e mais de 2500 cooperados. Destes, cerca de metade são mulheres (54%) e o trabalho se estende por 61 cidades do Brasil, triando 41 mil toneladas de material reciclado desde o início do projeto. A expectativa é a de que as cooperativas que fazem parte da etapa inicial do programa recebam até 25% a mais de investimentos. Além de impulsionar os investimentos, o Reciclar Pelo Brasil visa também colaborar com a meta do Acordo Setorial de Embalagens, que é a de reduzir, no mínimo, 22% das embalagens dispostas em aterros sanitários até 2018. Os objetivos principais são: profissionalizar e regularizar cada vez mais o trabalho das organizações; aumentar o volume dos resíduos recolhidos; elevar a receita das cooperativas; e aumentar a renda dos catadores.

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