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06 Jul 2018

Desinformação dificulta a reciclagem no estado do Rio Grande do Sul

De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado no último ano, apenas 13% de todos os resíduos sólidos urbanos do Brasil são destinados de forma correta à reciclagem. Em Porto Alegre, por exemplo, o número é ainda mais baixo: somente cerca de 10% dos resíduos coletados são reciclados, segundo estudo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas).

Dentre as razões que dificultam a reversão desse cenário, chama a atenção que um dos principais empecilhos seja a falta de informação da população. 66% dos brasileiros afirmam saber pouco ou nada a respeito de coleta seletiva; No Rio Grande do Sul, esse número é melhor que a média, de 52%, mas ainda distante do ideal. Já 28% dos brasileiros não sabem citar quais são as cores das lixeiras para coleta do material, enquanto no Rio Grande do Sul 39% dos respondentes não sabem citar as cores das lixeiras, mesmo patamar nacional. Os dados constam de pesquisa feita a pedido da Cervejaria Ambev e recém divulgada pelo IBOPE Inteligência.

O estudo mostra que o brasileiro sabe da importância da reciclagem para o meio ambiente e acredita que seja uma prática correta, mas isso não se reflete no dia-a-dia. Apesar de 94% das pessoas concordarem que a forma certa de descartar o lixo é separando materiais que podem ser reciclados e 98% reconhecerem que ela é importante para o futuro do planeta, 75% não separam os materiais recicláveis individualmente nos lixos que geram em casa. Desses, 39% não separam nem mesmo o lixo orgânico do inorgânico – no Rio Grande do Sul, esses números são bem menores, ficando em 60% e 11%, respectivamente, de acordo com a pesquisa. Além disso, 56% dos brasileiros não utilizam nenhum serviço de coleta seletiva.

“A consciência do brasileiro existe, mas só com um trabalho em conjunto entre todos nós, indivíduos, empresas, cooperativas e governos, conseguiremos criar condições para que a população, além de consciente, saiba como e onde realizar o descarte correto do seu lixo”, afirma Filipe Barolo, gerente de sustentabilidade da Cervejaria Ambev.

A pesquisa foi feita a pedido da Cervejaria Ambev para entender quais os desafios que permanecem sobre a questão da reciclagem e auxiliar no desenvolvimento de ações efetivas para solucioná-los.

Quais resíduos são recicláveis?

Um dos principais obstáculos para superar esse quadro é a falta de conhecimento sobre quais materiais podem ser reciclados. Apenas 4% das pessoas sabem que embalagens longa vida (TetraPak) são recicláveis. O índice melhora quando se fala em plástico (77%), vidro (64%), papel (50%) e alumínio (47%), mas ainda está distante do ideal. Apenas 32% das pessoas sabem bastante sobre embalagens PET recicláveis e 28% sobre embalagens retornáveis de vidro, por exemplo. Sobre garrafas PET, apenas 40% afirmam saber que esse tipo de material pode ser reciclado.  

“Uma de nossas principais preocupações é que as embalagens de nossos produtos encontrem o destino certo, que é a reciclagem”, afirma Barolo. “Além disso, temos buscado reduzir a quantidade de embalagens no mercado, focando nossos esforços em aumentar a representatividade de envases retornáveis, reciclados e recicláveis. Inclusive, uma de nossas metas socioambientais prevê que, até 2025, 100% de nossos produtos estejam em embalagens retornáveis ou feitas majoritariamente de material reciclado”, conclui.

Nos últimos anos, a Cervejaria Ambev tirou mais de 12,4 milhões de toneladas de vidro de circulação em decorrência do aumento de representatividade das garrafas de vidro retornáveis disponíveis no mercado. A companhia também deixou de produzir mais de 1,9 bilhão de garrafas PET com resina virgem em decorrência da reciclagem do material, deixando de utilizar mais de 94 mil toneladas de plástico.

Afinal, para onde vai o lixo?

59% das pessoas afirmam não saber quem efetivamente recicla os materiais e os transforma em novos produtos no Brasil. A cadeia envolvida nesse processo ainda parece ser um mistério para a maior parte da população, visto que 81% dos brasileiros afirmam saber pouco ou nada sobre cooperativas de reciclagem. Entre os respondentes no Rio Grande do Sul, esses números ficam no mesmo patamar: 55% dizem desconhecer quem efetivamente recicla os materiais e 75% dizem saber pouco ou nada sobre cooperativas de reciclagem.

Além disso, 58% dos brasileiros acreditam que o lixo vá para aterro sanitário ou lixão, apesar de 51% não concordarem que essa seja a destinação adequada, números que, no estado, atingem 44% e 60%.

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