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04 Abr 2018

Cresce insatisfação com educação no país

A insatisfação com a educação no país aumentou nos últimos quatro anos. Na pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira - Educação Básica, realizada pelo IBOPE Inteligência para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a percepção da maioria dos brasileiros é que os estudantes não estão preparados para a etapa escolar seguinte ou para o mundo do trabalho. Apenas 12% acreditam que o aluno do ensino médio das escolas públicas está bem preparado para se inserir no mercado profissional e quase um quarto da população (23%) diz que está despreparado. Em 2013, 55% dos brasileiros consideravam que o aluno estava bem ou razoavelmente preparado e agora esse percentual é de 42%.

Segundo a pesquisa, os brasileiros entendem que não é por falta de recursos públicos que a educação básica está mal no Brasil, mas que existe má gestão dos recursos. A maioria (81%) concorda totalmente ou parcialmente que o problema deve-se mais à má utilização da verba do que à falta dela. Em relação à administração das escolas, quase a totalidade dos brasileiros (93%) também concorda totalmente ou em parte que o diretor da escola deveria ter uma formação específica em gestão.

                            

O estudo também mostra que atuação dos professores nas escolas públicas de ensino fundamental e médio é mais bem avaliada do que as condições gerais das escolas. A capacidade para ensinar dos docentes, por exemplo, obtém média 7,2 (em uma escala de 0 a 10) e é o fator mais bem avaliado, enquanto o relacionamento com os pais dos alunos obtém a pior média (6,1).

O IBOPE Inteligência perguntou ainda à população quais seriam as principais ações para melhorar o desempenho dos alunos do ensino básico público. Entre dez iniciativas, equipar melhor as escolas é a ação mais citada (28%). O material didático digital e o acesso a computador com internet estão entre os itens com notas mais baixas na avaliação da população das condições gerais das escolas públicas (4,6 e 5,0, respectivamente, em uma escala de 0 a 10).

Iniciativas relacionadas aos professores também foram avaliadas: aumentar o salário dos docentes é a mais assinalada entre as duas principais ações (40%); elevar o número de professores aparece em segundo lugar (34%), praticamente empatada com ações para melhorar a formação docente (32%).

Ao analisar o grau de responsabilidade de diferentes atores para que os alunos do ensino básico tenham uma educação de qualidade no Brasil, cerca de oito em cada dez brasileiros consideram que o diretor da escola, os pais dos alunos e os professores são muito responsáveis.

Segundo a opinião de 70% a 76%, prefeito, governador e presidente também possuem muita responsabilidade para uma educação de qualidade no ensino público fundamental e médio. Ao mesmo tempo, a maioria da população (77%) concorda totalmente ou parcialmente que os governos não possuem o comprometimento adequado para garantir a qualidade da educação.

No debate sobre educação, a população quer ainda maior participação dos jovens: 96% dos brasileiros concordam que a juventude deve participar mais nos debates e decisões, sendo que 82% concordam totalmente e 14% concordam em parte. Apenas 4% dos brasileiros discordam totalmente ou em parte da afirmação.

Os brasileiros também acreditam que há relação entre a situação na educação brasileira e dois dos principais problemas enfrentados pelo Brasil no momento: violência e corrupção. A maioria (77%) concorda totalmente ou em parte que o problema da violência se relaciona diretamente com a baixa qualidade da educação. Seis em cada dez brasileiros dizem o mesmo em relação à corrupção.

      

A percepção sobre o vínculo entre a educação e os níveis de violência cresce com o grau de escolaridade do entrevistado. Entre aqueles com até a quarta série do ensino fundamental, 71% concordam com a afirmação, percentual que chega a 82% entre os que possuem ensino superior. Já a relação entre a educação e os níveis de corrupção predomina entre os mais jovens: 70% dos entrevistados entre 16 e 24 anos concordam total ou parcialmente com a afirmação. Entre os brasileiros com 55 anos ou mais, o percentual alcança 56%.

A população reconhece o valor da educação não apenas para a sociedade como para o indivíduo. A maioria percebe impactos positivos da escolarização sobre a sua vida. Em relação à renda, 73% dos brasileiros concordam total ou parcialmente que quanto mais anos de estudo uma pessoa tiver, maior será a sua renda. Apesar de permanecer elevado, o percentual vem apresentando queda nos últimos anos: em 2010, em que a pesquisa foi feita pela primeira vez, era de 83%. Em 2013, chegou a 79%. Na pesquisa atual, alcança 73%. A avaliação é que o contexto de recessão econômica no país pode ter contribuído para esse resultado.

Em relação à empregabilidade, 71% dos entrevistados concordam totalmente ou em parte que o problema do desemprego no Brasil se relaciona diretamente com a baixa qualidade da educação. Em cidades grandes e nas capitais, uma parcela maior da população percebe a relação entre a escolaridade e as chances do indivíduo de conseguir um emprego: o percentual daqueles que concordam com a afirmação sobe de 69% em cidades do interior para 76% nas capitais.

DADOS DA PESQUISA

Nome da pesquisa

Retratos da Sociedade Brasileira - Educação Básica

Margem de erro

2 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra

Tema

Administração pública

CNI

Educação

Opinião pública

Contratante

CNI - Confederação Nacional da Indústria

Período

15/09/2017 a 20/09/2017

Local

Brasil

Amostra

2000 entrevistas em 126 municípios.

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Retratos da Sociedade Brasileira - Educação Básica
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