Eleições

Guia de leitura de pesquisa eleitoral

Entenda como são feitas as pesquisas eleitorais do IBOPE Inteligência.

Definição da amostra

As pessoas entrevistadas em nossas pesquisas representam a população em estudo e são selecionadas por meio de critérios estatísticos, que utilizam como base as fontes oficiais de dados do País: IBGE, TRE e TSE.

O IBOPE Inteligência utiliza habitualmente uma amostra por conglomerados, selecionada em três estágios:

1- Seleção probabilística dos municípios onde serão realizadas as entrevistas, pelo método PPT (Probabilidade Proporcional ao Tamanho).
2- Seleção probabilística dos setores censitários do IBGE, também pelo método PPT.
3- Seleção dos entrevistados por meio de quotas proporcionais de sexo, idade, grau de instrução e setor de dependência econômica, dentro dos setores censitários sorteados previamente. 

Margem de erro
O erro amostral existe em toda pesquisa, uma vez que não se está entrevistando todo o universo. Por isso, quando dizemos que a estimativa de erro de uma determinada pesquisa é de dois pontos percentuais, entendemos que um resultado de 25% pode apresentar uma variação de dois pontos, para mais ou para menos, e deve ser lido como um intervalo de 23% a 27%.

Importante
Ao contrário do que habitualmente se divulga, não existe um erro amostral único para todos os resultados da pesquisa, pois para cada informação divulgada há um erro amostral próprio. Entretanto, para facilitar a divulgação das pesquisas eleitorais, a margem de erro divulgada e registrada no Tribunal Superior Eleitoral é uma estimativa de erro máximo para todos os indicadores do estudo.

Intervalo de confiança
Estabelece os limites dentro dos quais os resultados da pesquisa devem ser interpretados. Usualmente trabalha-se com intervalos de 95% de confiança, o que significa dizer que em 100 pesquisas realizadas com o mesmo modelo amostral, 95 delas terão seus resultados dentro da margem de erro estimada, mas 5 poderão apresentar índices diferentes. Exemplo: considerando uma margem de erro de três pontos percentuais para o candidato A com estimativa de intenção de voto fixada em 30%, o intervalo de confiança dele, com uma confiabilidade de 95%, seria  de 27% a 33%. Isso significa dizer que, considerando o mesmo modelo amostral, se 100 amostras forem tiradas da população, em pelo menos 95 delas o índice deste candidato deverá variar entre 27% e 33%, mas em 5 os resultados poderão ser diferentes deste intervalo.

Empate técnico
Ocorre quando a diferença entre os índices dos candidatos pesquisados se encontra dentro das margens de erro das pesquisas. 
Exemplo: em determinada pesquisa com margem de erro de três pontos percentuais, o candidato A tem 27% das intenções de voto e o candidato B, 30%. Nesse cenário, o candidato A pode ter um índice entre 24% e 30%, enquanto o candidato B terá de 27% a 33% das intenções de voto. Portanto, ambos poderão ter seus indicadores entre 27% e 30%, numa superposição que caracteriza o empate técnico. Esse mesmo raciocínio também vale para dizer se uma eleição acabará ou não no primeiro turno. Por exemplo, considerando uma pesquisa cuja margem de erro é de três pontos percentuais, o candidato A tem 38% das intenções de voto e a soma dos demais candidatos é 35%, não se pode afirmar que a eleição acabará no primeiro turno, pois a diferença entre o índice do primeiro colocado e a soma dos demais está dentro da margem de erro da pesquisa. Para poder afirmar que uma eleição acabará no primeiro turno, a diferença entre a intenção de voto do primeiro colocado e a soma das demais candidaturas deve ser superior à margem de erro da pesquisa.

Erro não amostral
Existem erros que não podem ser calculados, embora possam ser controlados e minimizados. São os chamados erros não-amostrais, resultantes de situações como:

• dados demográficos ou eleitorais desatualizados usados na elaboração das amostras; 

• questionários mal elaborados (perguntas que induzem a determinadas respostas, falta de objetividade, ordem inadequada, vocabulário inacessível etc.); 

• entrevistadores mal treinados; 

• ocorrências inesperadas ligadas ao tema da pesquisa. 

Tendência de queda ou crescimento
Só é possível chegar à conclusão de que uma candidatura está crescendo ou caindo se houver pelo menos três pesquisas com resultados seguindos na mesma direção. Por exemplo: em uma sequência de cinco pesquisas, se o candidato A registrar, respectivamente, 32%, 30%, 31%, 29% e 30% das intenções de voto, não se pode afirmar que há uma tendência de crescimento ou queda, pois a oscilação está dentro das margens de erro da pesquisa. Mas, se o candidato obtivesse 32%, 33%, 34%, 36% e 38%, mesmo as diferenças estando dentro das margens de erro das pesquisas, estaria diagnosticada uma tendência de crescimento.

Como entender pesquisas no contexto eleitoral
As pesquisas devem ser avaliadas dentro do processo eleitoral. Como a pesquisa é um retrato do momento, seus resultados têm de ser tratados como uma fonte a mais de evidência no contexto analisado. É preciso também ter sempre claro que as pesquisas não são infalíveis, pois seus resultados não representam números exatos, mas sim estimativas. Como estimativa, a pesquisa é uma ferramenta importante porque permite que seja conhecida, por meio de amostras estatísticas, a opinião do conjunto da sociedade. Como a opinião pública é dinâmica e responde aos estímulos que recebe, está sujeita a influências variadas, como a campanha de cada candidato, fatos inesperados, debates etc. Portanto, não se pode considerar os resultados de uma pesquisa feita uma semana antes da eleição como se fosse o prognóstico eleitoral. 

Analisando eleições recentes, podemos encontrar diversos resultados que mudaram significativamente de um dia para o outro. Com frequência, as viradas acontecem nos últimos dias que antecedem a eleição, quando as pessoas estão bastante envolvidas com a disputa e ocorrem intensamente ações a favor ou contra os candidatos, inclusive nas redes sociais, produzindo efeito em grande parcela dos eleitores. Portanto, as pesquisas devem sempre ser analisadas no contexto na qual foram realizadas.

Divulgação
A divulgação de pesquisas eleitorais deve observar as determinações previstas na legislação. A partir do primeiro dia do ano eleitoral, qualquer pesquisa relativa às eleições e aos candidatos, realizada para fim de divulgação, deverá obrigatoriamente ser precedida, em pelo menos cinco dias da data de divulgação, de registro no juízo eleitoral competente das informações elencadas no artigo 33 da Lei 9504/97 e das resoluções que o TSE edita a cada eleição. O registro deve ser feito pela empresa que realizou a pesquisa.

A divulgação das pesquisas eleitorais pode ocorrer até mesmo no dia da eleição, desde que estejam devidamente registradas no juízo eleitoral competente e observem o prazo previsto para a divulgação. Contudo, a divulgação de pesquisa realizada no dia da eleição somente se fará após encerrada a votação na respectiva Unidade da Federação. Uma vez registrada, a pesquisa pode ser publicada em qualquer veículo de comunicação, não sendo necessário um registro específico para cada órgão divulgador.

A legislação eleitoral garante aos partidos políticos e às coligações devidamente registradas na Justiça Eleitoral o acesso aos resultados da pesquisa divulgada. E mesmo quando a pesquisa não é divulgada ela é disponibilizada à justiça eleitoral, caso tenha sido registrada.

Qualquer infração a determinações previstas na legislação eleitoral é passível de multas e sanções, inclusive criminais, a serem aplicadas pela Justiça Eleitoral.

A divulgação de pesquisa fraudulenta constitui crime e a divulgação, ainda que incompleta, de resultados de pesquisa sem o prévio registro sujeita o instituto de pesquisa, o contratante da pesquisa, o órgão de imprensa, o candidato, o partido político ou coligação, ou qualquer outro responsável às multas previstas pelo TSE.
A comprovação de irregularidades nos dados publicados sujeita os responsáveis à obrigatoriedade da veiculação dos dados corretos no mesmo espaço, local, horário, página, caracteres e outros elementos de destaque, de acordo com o veículo usado, além de possíveis ações penais.

De acordo com a legislação eleitoral, na divulgação da pesquisa deverão ser informados, obrigatoriamente:

• o período de realização da coleta de dados; 
• a margem de erro;
• o número de entrevistas; 
• o nome da entidade ou empresa que a realizou e, se for o caso, de quem a contratou;
• o número de registro da pesquisa.

Além das exigências legais, o código internacional de práticas para a publicação de resultados de pesquisas de opinião pública da The World Associtation of Professional Researchers, entidade à qual alguns executivos do IBOPE Inteligência pertencem, subscrito pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), recomenda que, quando da divulgação da pesquisa, o veículo também informe:

• nome da empresa de pesquisa que realizou o estudo; 
• população pesquisada; 
• método de amostragem utilizado; 
• tamanho da amostra; 
• técnica utilizada para a coleta de dados; 
• texto completo das perguntas aplicadas.

Sobre o registro
A empresa de pesquisa deve registrar no Tribunal Eleitoral competente, com no mínimo cinco dias de antecedência da data de divulgação, as seguintes informações:

1. Quem contratou a pesquisa;
2. Valor e origem dos recursos despendidos no trabalho;
3. Metodologia e período de realização da pesquisa;
4. Plano amostral e ponderação quanto a sexo, idade, grau de instrução, nível econômico do entrevistado e área física de realização do trabalho, intervalo de confiança e margem de erro;
5. Sistema interno de controle e verificação, conferência e fiscalização da coleta de dados e do trabalho de campo;
6. Questionário completo aplicado ou a ser aplicado;
7. Nome de quem pagou pela realização do trabalho;
8. Contrato social, estatuto social ou inscrição como empresário, que comprove o regular registro da empresa, com a qualificação completa dos responsáveis legais, razão social ou denominação, número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), endereço, número de fac-símile ou endereço de correio eletrônico em que receberão notificações e comunicados da Justiça Eleitoral;
9. Nome do estatístico responsável pela pesquisa – e o número de seu registro no competente Conselho Regional de Estatística (Decreto nº 62.497/68, art. 11);
10. Número de registro da empresa responsável pela pesquisa no Conselho Regional de Estatística, caso o tenha.
11. Indicação do município abrangido pela pesquisa.
12. Até 24 horas contadas da divulgação do respectivo resultado, o registro da pesquisa deverá ser complementado com os dados relativos aos municípios e bairros abrangidos pela pesquisa; na ausência de delimitação do bairro, será identificada a área em que foi realizada a pesquisa.